domingo, 1 de setembro de 2013


Invasão soviética da Polônia


O início da invasão


No início 1939, a União Soviética tentou formar uma aliança contra a Alemanha nazista com o Reino Unido, França, Polônia e Romênia, mas diversas dificuldades, incluindo a recusa da Polônia e da Romênia de permitir direitos de trânsito pelos seus territórios das tropas soviéticas, como parte de segurança colectiva 7 , levaram ao fracasso das negociações. Os soviéticos, com o fracasso das negociações, mudaram a sua posição anti-alemã e a 23 de Agosto de 1939 e assinaram o Pacto Molotov-Ribbentrop com a Alemanha Nazi. Como resultado do acordo, a 1 de Setembro, os alemães iniciaram a invasão da Polônia a partir do oeste e, a 17 de Setembro, o Exército Vermelho invadiu a Polônia a partir do leste 8 . O governo soviético anunciou que estava a atuar para proteger os ucranianos e os bielorrussos, que viviam na parte oriental da Polônia, uma vez que o estado polaco tinha sido derrotado com o ataque alemão e já não podia garantir a segurança dos seus próprios cidadãos 9 10 .

Tropas Sovieticas e Polonesas
 envolvidas na Guerra
O Exército Vermelho alcançou rapidamente os seus objetivos, não encontrando resistência do devastado e mal preparado exército polaco.1 Cerca de 230.000 soldados polacos ou mais (452.50011 ) foram levados como prisioneiros de guerra.12 O governo soviético anexou o território recentemente sob o seu controlo e, em Novembro declarou que os 13,5 milhões de cidadãos poloneses que viviam ali eram agora cidadãos soviéticos. Os soviéticos reprimiram toda a oposição, através de execuções e prendendo milhares de opositores.13Enviaram centenas de milhares de polacos para a Sibéria (as estimativas variam) e para outras partes remotas da URSS em quatro grandes ondas de deportações entre 1939 e 1941 [b].
A invasão soviética, que o Politburo chamou de "campanha de libertação", levou à incorporação de milhões de polacos, ucranianos ocidentais e bielorrussos ocidentais nas repúblicas soviéticas da Bielorrússia e da Ucrânia.14 Durante a existência da República Popular da Polônia, a invasão foi um tema tabu, praticamente omitida da história oficial, a fim de preservar a ilusão de "eterna amizade" entre os membros do bloco de leste.15


O início das atividades de guerra 

No final da década de 1930, a União Soviética tentou formar uma aliança antialemã com o Reino Unido, França e Polônia[h]. As negociações, contudo, foram muito difíceis. Os soviéticos insistiam manter uma esfera de influência entre a Finlândia e a Romênia e pediam apoio militar não apenas contra quem os atacasse diretamente, mas também contra quem atacasse os países na sua suposta esfera de influência.16 Desde o início das negociações com a França e a Grã-Bretanha que tinha ficado claro que a União Soviética exigia o direito de ocupar os Estados Bálticos (Letônia, Estônia e Lituânia).17
A Finlândia também deveria ser incluída na esfera de influência soviética 18 e também exigiam o direito de entrar na Polônia, na Romênia e nos países bálticos quando sentissem que a sua segurança estaria ameaçada. Os governos desses países rejeitaram a proposta porque, pois tal como sublinhou o ministro dos Negócios Estrangeiros, o polaco Józef Beck, temiam que, uma vez que o Exército Vermelho entrasse no seu território, poderiam não voltar a sair.7Os soviéticos não confiavam nem nos britânicos nem nos franceses no que constava à segurança colectiva, uma vez que não tinham ajudado Espanha contra os fascistas liderados por Franconem tinham protegido a Checoslováquia dos nazistas. Eles também suspeitas de que os aliados ocidentais preferiam que a União Soviética lutasse contra a Alemanha, por si só, enquanto eles observavam à margem.19 Tendo em conta estas preocupações, a União Soviética abandonou as conversações e resolveu encetar negociações com a Alemanha.
A 23 de Agosto de 1939, a União Soviética e a Alemanha nazi, assinaram o Pacto Molotov-Ribbentrop, apanhando os aliados de surpresa. Os dois governos anunciaram o acordo apenas como um tratado de não agressão. No entanto, como um apêndice secreto revelava, eles tinham concordado com a partilha da Polônia e em dividir a Europa Oriental em esferas de influência Soviética e Alemã [d]. O Pacto Molotov-Ribbentrop, tem sido descrito como uma "licença para a guerra" e foi uma fator fundamental na decisão de Hitler invadir a Polônia.7 20
Distribuição das divisões Polacas
1 de Setembro de 1939. A
maioria das forças polacas estavam
concentrados na fronteira alemã.
A fronteira soviética tinha sido
praticamente despojada de unidades.
O tratado dava aos soviéticos um espaço extra para a defesa no oeste.21 Além disso, oferecia-lhes uma oportunidade de reconquistarem territórios cedidos à Polônia vinte anos antes e permitia unir pela primeira vez em um mesmo Estado as regiões orientais e ocidentais da Ucrânia e da Bielorrússia, povos sob governo soviético.22 O líder soviético Joseph Stalin viu vantagens em uma guerra na Europa Ocidental, o que poderia enfraquecer os sua inimigos ideológicos e abrir novas regiões para o avanço do comunismo 23 [f].
Assim que os alemães invadiram a Polônia a 1 de Setembro de 1939, os nazistas começaram a instar os dirigentes soviéticos para lançar o seu ataque à Polônia pela parte leste. O embaixador alemão em Moscovo, Werner Friedrich von der Schulenburg e o Ministro Soviético dos Negócios Estrangeiros, Vyacheslav Molotov, trocaram uma série de comunicados diplomáticos sobre o assunto.9
Molotov apresentou o lado político da questão e afirmou que o governo soviético tinha intenção de aproveitar a ocasião do avanço das tropas alemãs para declarar que a Polônia se estava a desmoronar e que era necessário que a União Soviética, em consequência disso, para ajudar os Ucranianos e os Bielorrussos "ameaçados" pela Alemanha interviesse. Este argumento torna a intervenção da União Soviética plausível para as massas e, ao mesmo tempo, evitava que a União Soviética surja como um agressor. Friedrich-Werner von der Schulenburg, embaixador alemão em Moscovo, em um telegrama para o Ministro Alemão dos Negócios Estrangeiros, Moscovo, 10 de Setembro de 193924
Os soviéticos atrasaram a sua intervenção por várias razões. Eles estavam ocupados com acontecimentos cruciais nas suas disputas fronteiriças com o Japão e precisavam de tempo para mobilizar o Exército Vermelho e, também viram uma vantagem diplomática em espera até que a Polônia se tivesse desintegrado, antes de fazerem a sua jogada.25 26 A 17 de Setembro de 1939, Molotov declarou no rádio que todos os tratados entre a União Soviética e a Polônia passavam a ser considerados nulos[g], porque o Governo polaco tinha abandonado o seu povo e efetivamente deixado de existir. Além disso, os soviéticos tinham que ter em consideração que a França e a Grã-Bretanha tinham prometido à Polônia que, em caso de guerra, enviariam dentro de duas semanas forças expedicionárias (através da Romênia). A data exata da invasão soviética poderia ter sido simplesmente uma soma da data em que a França e o Reino Unido declararam guerra à Alemanha, mais 14 dias equivalentes a 17 de Setembro de 1939 e, vendo que não havia forças franco-britânicas a aproximarem-se dos portos marítimos da Romênia, os soviéticos decidiram atacar.
A falta de vontade de Stalin para ajudar a Alemanha nazi na guerra foi motivada pela sua própria estratégia, baseada na crença de que deveria deixar os estados capitalistas ocidentais e a Alemanha nazista perderem forças, em guerras uns contra os outros, antes que ele tivesse que lutar com eles. A incapacidade de os franceses e os britânicos ajudarem a Polônia quer enviando forças expedicionárias, ou iniciando uma ofensiva terrestre contra a Alemanha nazi, ou mesmo efetuado bombardeamentos às zonas industriais na parte ocidental da Alemanha, foi uma decepção para Stalin, uma vez que o banho de sangue entre os inimigos do comunismo não ocorreria como Stalin desejava.27 Nesse mesmo dia, o Exército Vermelho cruzou a fronteira para invadir a Polônia.4 25

General Soviético
Semyon Krivoshein e oficiais alemães

A Campanha militar dos soviéticos e as batalhas pela conquista da Polônia

O Exército Vermelho entrou nas regiões do leste da Polônia, com sete exércitos de campo compostos por 450.000 a 1.000.000 tropas.4 Foram mobilizados em duas frentes: a Frente Bielorrussa sob o comando de Mikhail Kovalyov e a Frente Ucraniana com Semyon Timoshenko no comando.4 Nesta altura, os polacos não estavam preocupados em defender as suas fronteiras ocidentais e, em resposta às incursões alemãs, tinham realizado um grande contra-ataque na Batalha de Bzura. O Exército Polaco originalmente tinha um plano defensivo bem desenvolvido para lidar com a ameaça da União Soviética, mas estavam completamente despreparados para enfrentar duas invasões de uma só vez. Os estratégias militares polacos acreditavam que fizesse algum sentido oferecer mais do que uma resistência simbólica se fossem atacados pelos alemães e pelos soviéticos. No entanto, apesar dessa crença, os militares polacos não desenvolveram um plano de evacuação para essa contingência.

Por isso, muitos soldados polacos morreram em um esforço de guerra que estava condenado à retirada.28 No momento em que os soviéticos invadiram a Polônia, os comandantes polacos tinham enviado a maior parte das suas tropas para oeste a fim de enfrentar os alemães, deixando o leste protegido por apenas 20 batalhões desfalcados. Esses batalhões consistiam em cerca de 20.000 tropas do corpo de defesa de fronteira (korpus Ochrony Pogranicza), sob o comando do General Wilhelm Orlik-Rueckemann.1 4
Ao principio, o comandante-em-chefe polaco, Marechal da Polônia Edward Rydz-Śmigły, ordenou as forças de fronteira que resistissem a invasão soviética. Mas mudou de ideia após consultar o Primeiro-Ministro Felicjan Sławoj Składkowski e ordenou-lhes que recuassem e apenas enfrentassem os soviéticos em legitima defesa.1 5
Os soviéticos entraram. Ordenei a retirada total para a Romênia e a Hungria pela rota mais curta. Não se combate os bolcheviques a menos que eles ataquem ou tentem desarmar as unidades. As tarefas para Varsóvia e as outras cidades é a de se defenderem sozinhas dos alemães - sem alterações. As cidades abordadas pelos bolcheviques deverão negociar a retirada das suas guarnições para a Hungria ou a Romênia.—Edward Rydz-Śmigły, Comandante-em-chefe das forças armadas polacas, 17 de Setembro de 193929
Os dois conjuntos de ordens opostas levou à confusão,4 e quando o Exército Vermelho atacou as unidades do exercito polaco, inevitavelmente eclodiram confrontos e pequenas batalhas.1 A resposta agressiva das etnias não polacas à situação acrescentou uma nova complicação. Em alguns casos, Ucranianos [m], Bielorrussos30 e judeus 31 congratularam-se com as tropas invasoras aclamando-as como libertadores. A Organização dos Nacionalistas Ucranianos revoltaram-se contra os polacos e os partisans comunistas, organizando revoltas locais, como por exemplo, noSkidel 4 [j].
Os planos militares polacos originais eram o de voltar a recuar e reagrupar ao longo da Bridgehead romena, uma área no sudeste da Polônia perto da fronteira com a Romênia. A ideia foi a de adotar posições defensivas lá e esperar pelo prometido apoio francês e britânico no oeste para relançarem o ataque a partir daquele ponto. Este plano presumia que a Alemanha teria de reduzir as suas operações na Polônia, a fim de lutar em uma segunda frente.4 As forças polacas aliadas esperavam aguentar essa situação vários meses, mas o ataque soviético tornou essa estratégia impossível de ser realizada.
Os políticos polacos e os líderes militares sabiam que estavam a perder a guerra contra a Alemanha, mesmo antes da invasão soviética ter dado o golpe final.4 No entanto, recusaram-se a render-se ou a negociar um acordo de paz com a Alemanha. Em vez disso, o governo polaco ordenou a todas as unidades militares para evacuar a Polônia e a reagruparem-se na França.4 O próprio governo cruzou a fronteira com a Romênia, cerca da meia-noite do dia 17 de Setembro de 1939 em Zaleszczyki. Os polacos continuaram a movimentar as unidades para a área da bridgehead romena, sustendo os ataques alemães em um flanco e, ocasionalmente, as tropas soviéticas no outro. Nos dias seguintes à ordem de evacuação, os alemães derrotaram os Exércitos polacos de Cracóvia e Lublin na Batalha de Tomaszow Lubelski que durou de 17 de Setembro a 20 de Setembro de 1939.32
As unidades Soviéticas encontravam frequentemente os seus homólogos alemães avançando na direção oposta. Vários exemplos de cooperação ocorram entre os dois exércitos no campo. A Wehrmacht passou pela Fortaleza de Brest que havia sido capturada após a Batalha de Brzesc Litewski pela 29ª Brigada de Tanques Soviética a 17 de Setembro.33 O General alemão Heinz Guderian e o Brigadeiro Soviético Semyon Krivoshein realizada uma parada conjunta na cidade.33 Lwów (Lviv) rendeu-se a 22 de Setembro, depois de os alemães entregaram o cerco aos soviéticos.34 35 As forças soviéticas haviam tomado Wilno a 19 de Setembro, após uma batalha de dois dias e conquistaram Grodno a 24 de Setembro, após uma batalha de quatro dias. Até 28 de Setembro, o Exército Vermelho tinha alcançado a linha dos rios Narew, Bug Ocidental, Vistula e San, a fronteira acordada previamente com os alemães. Além disso, bolsas de resistência polaca no Espaço fortificado Sarny em Volhynian, perto da fronteira anterior a 1939, resistiram até 25 de setembro.
Apesar de uma vitória táctica polaca a 28 de Setembro, na Batalha de Szack, o resultado final do conflito nunca esteve em dúvida.36 Milícias de voluntários civis e unidades reorganizadas, recuaram e ficaram cercadas na capital polaca, Varsóvia, até 28 de Setembro. A Fortaleza de Modlin, a norte de Varsóvia, rendeu-se no dia seguinte após intensos dezesseis dias de batalha. A 1º de Outubro, as tropas soviéticas forçaram as forças polacas a recuar para a floresta de Wytyczno, onde se deu um dos últimos confrontos diretos da campanha.37
Algumas guarnições polacas isoladas, conseguiram aguentar as suas posições durante algum tempo depois de cercadas. A última unidade operacional do Exército Polaco a render-se foi o Grupo Operacional Polaco independente (Samodzielna Grupa Operacyjna "Polesie") sob o comando do General Franciszek Kleeberg. Kleeberg rendeu-se a 6 de Outubro, após os quatro dias daBatalha de Kock (perto de Lublin), que encerrou a Campanha. Os soviéticos foram vitoriosos e a 31 de Outubro, Molotov reportou ao Soviete Supremo:
"Um breve golpe dado pelo exército alemão e, posteriormente, pelo Exército Vermelho, foi o suficiente para não sobrar nada desta criatura feia do Tratado de Versalhes."
Vyacheslav Molotov, Ministro Soviético dos Negócios Estrangeiros, 31 de Outubro de 193938

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